POR ESTA CAUSA... UMA MOTIVAÇÃO PARA O NOSSO MINISTÉRIO

EFÉSIOS 3.1-14   

 

A carta aos Efésios é escrita sob o impacto de uma das prisões do apóstolo Paulo, provavelmente em Roma. Paulo apresenta-se vocacionado para exercer um ministério entre os gentios e considera sua prisão o motivo para tal.  Vamos olhar para o ministério de Paulo e buscar inspiração para o nosso ministério, seja na igreja local ou ministério pastoral. Ele inicia e termina o texto com a expressão “por esta causa”. Paulo se refere à causa do “Evangelho das insondáveis riquezas de Cristo” (3.8), que conheceu durante as perseguições aos cristãos. Ele passou de perseguidor a perseguido por causa de Cristo; ele consentiu com a morte de cristãos e morreu por amor a mensagem de Cristo; ele era zeloso pela lei dos judeus e tornou-se zeloso pelo Evangelho de Cristo.

“Prisioneiro de Cristo” - v. 1

Embora prisioneiro do Império Romano, Paulo considerava-se prisioneiro de Cristo. Está preso porque Jesus Cristo permitiu e não porque o imperador determinou. Esta fé de Paulo dava-lhe coragem e ânimo para vencer as dificuldades que o exercício do seu ministério lhe impunha. Ele aceitou pacificamente a prisão não por se resigar ante o poderio do imperador, mas porque aceitou conscientemente a soberania e o senhorio de Jesus Cristo. Sem esta compreensão o cristão fica limitado para exercer seu ministério. Para o apóstolo, os acontecimentos que cercavam sua vida e ministério eram resultado do senhorio de Cristo. Esta dimensão de fé e convicção eram muito claras.

Paulo menciona em suas cartas as lutas que enfrentou na vida e no ministério. Em II Coríntios 11.23-33 apresenta um rol completo destas lutas: prisões; açoites; perigos de morte; fustigado com varas; apedrejado; naufrágio; perigos nas viagens, nas cidades, nos mares, entre judeus, entre gentios, no mar e nos rios; fome e sede; frio e nudez; etc. Para ele eram os sinais da cruz de Cristo: “se tenho de gloriar-me, gloriar-me-ei no que diz respeito à minha fraqueza” (II Co 11.30). Em II Coríntios 12.10 o apóstolo afirma sentir prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades e nas perseguições, “porque, quando sou fraco, então, é que sou forte”.

“Por amor de vós” - v. 1

Ainda no mesmo verso Paulo fala que suas prisões eram conseqüências do seu amor pelos gentios. Paulo dá um ensino precioso sobre o assunto: não há ministério por recompensas; não há ministério buscando promoção; não há ministério individualista e personalista. O ministério deve ser resultado do amor pela missão a ser desenvolvida e, no caso do ministério pastoral, pelas ovelhas a serem pastoreadas. Em outras palavras, o apóstolo diz ser um apaixonado pelo ministério que recebeu de Deus e, constrangido pelo amor, vai ao encontro dos que ainda não receberam o evangelho das insondáveis riquezas de Cristo.

“Pelo dom da Graça de Deus” - v. 7

Paulo via seu ministério como resultado da graça de Deus na sua vida (3.2; 7 e 8). Por causa da graça Deus dá o Espírito Santo, os frutos e os dons. Wesley perguntava aos pregadores leigos: “Tens a graça? Tens os dons? Tens os frutos?” Boas perguntas para serem respondidas ainda hoje por todos aqueles e aquelas que desenvolvem ministérios no Corpo de Cristo. A graça de Deus é que sustentava o apóstolo no enfrentamento da lutas e dificuldades do ministério. Orientando a um de seus discípulos, disse: “Tu, pois, filho meu, fortifica-te na graça que está em Cristo Jesus” (II Tm 2.1).

Timóteo precisava da graça de Deus para suportar as lutas do ministério. Segundo II Timóteo 3.1-9, o ambiente no qual ele deveria exercer seu ministério era hostil e adverso. A força para a realização do ministério vem da graça de Deus, pois ela sustenta o servo do Senhor precário, frágil e limitado, mas que encontra no poder da graça a força para servir a Deus. Quando Paulo pediu que Deus o libertasse do espinho na carne, Deus respondeu que sua graça lhe bastava: “a minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Deus” (II Co 12.9).

“Pregar aos gentios” - v. 8

Paulo tinha uma especificidade. Não “atirava” para qualquer lado, tampouco “copiava” o que os outros faziam. Tinha um objetivo claro e por este objetivo chegou a ser preso várias vezes: salvar os gentios e anunciar as insondáveis riquezas de Cristo. Percorreu os caminhos que o levaram ao cumprimento desta vocação, enfrentando oposições, rejeições, mas sem nunca esmorecer, pois olhava atento para o alvo que recebera de Deus.

“A sabedoria de Deus” - v. 10

O Evangelho de Jesus Cristo, que demonstra a multiforme sabedoria de Deus, que confunde os “sábios” e dá sabedoria aos “loucos”. As prisões de Paulo eram oportunidades para que este Evangelho fosse conhecido por um grupo de gentios denominados de “romanos”, que também precisavam da salvação. Este é o conteúdo do ministério do apóstolo – proclamar a sabedoria de Deus, o Evangelho, a salvação pela fé em Cristo, a cruz e a ressurreição de Cristo.

“Não desfaleçais” – v.13

A descrição que Paulo faz de seu ministério nos inspira à reflexão e aprofundamento a respeito do nosso, um grande privilégio concedido por Deus. Podemos enfrentar e superar as dificuldades da vida e do ministério, pois a mesma graça que sustentou o apóstolo nos sustenta hoje. Que possamos também iniciar o relato do nosso ministério com estas palavras: “por esta causa” (Ef 3.1 e 3.14). “Por esta causa sou o prisioneiro de Cristo” e “Por esta causa me ponho de joelhos diante do Pai”.

“Me ponho de joelhos” – v. 14

São várias as orações do apóstolo registradas em suas cartas. Ele vivia a dinâmica do altar, agradecendo pela vida das suas comunidades e intercedendo a Deus pelos cristãos, a fim de que perseverassem na fé (Ef 1.16, 3.16). A espiritualidade era uma prática comum na vida do apóstolo. No altar de Deus encontrava a força e a motivação para realizar o seu ministério. Nesta perspectiva ele foi mais do que vencedor.

Testemunhar a Vitalidade do Evangelho. Este é o nosso compromisso, nossa missão e nosso chamado. Por causa do poder do Evangelho que experimentamos em nossas vidas, somos impulsionados a testemunhar o Evangelho e exercer o ministério sob o impacto desta vitalidade.

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Fonte: site da 4ª Região