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DESENVOLVENDO
NOSSA ESPIRITUALIDADE |
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I
Tessalonicenses 5.16-18
Introdução A espiritualidade
é um tema crescente em nossos dias. A secularização da sociedade e da
família, as preocupações com a subsistência e as crises que permeiam
a vida, obrigam as pessoas a buscar o equilíbrio emocional,
sentimental, psicológico e espiritual. E é por meio da espiritualidade
que o encontram. Dessa
forma, o tema da espiritualidade é explorado mediante a venda de
produtos e métodos para a satisfação espiritual. Estes produtos e métodos
oferecem uma espiritualidade mecânica e ilusória. Há
aqueles que pensam que espiritualidade é isolar-se do mundo, da
sociedade e de todas as atividades compreendidas como “não-espirituais”.
Isto é uma deformação e uma compreensão equivocada do que vem a ser
espiritualidade. Espiritualidade
constitui a vida integral da pessoa. “É o mundo interior adequado ao
mundo exterior”.[i]
Devemos considerar que a espiritualidade ocorre em meio a algo concreto
e não imaginário. “Ninguém se torna mais espiritual tornando-se
menos material. Ninguém se exalta subindo em um glorioso e colorido balão
de ar quente”.[ii] Espiritualidade
prazerosa Um dos textos bíblicos
sobre a espiritualidade como algo prazeroso e agradável na vida do
cristão é I Tessalonicenses 5.16-18. Não
se trata de uma espiritualidade intimista, cheia de regras e obrigações,
mas de alegria e de satisfação. a)
“Alegrai-vos
sempre”
(5.16) – Na lista de
Gálatas 5.22-23, a alegria aparece como um fruto do Espírito Santo,
sendo presente em outros textos também. A alegria é o resultado do
compromisso com o Evangelho – Fp 1.4,18, 18; 2.2,17, 17, 18, 28,19;
3.1; 4.1,4 4,10; é um dos Sinais do Reino de Deus – Rm 14.17, 15.13.
Quando escreve aos filipenses sobre a alegria, Paulo tinha vários
motivos para sentir angústia, tristeza e desânimo: a) estava longe de
uma das comunidades que mais amou, com a qual tinha um relacionamento
muito próximo; b) estava preso, prestes a ser executado; c) era atacado
por alguns pregadores cristãos que viam nas suas lutas e prisões uma
desautorização de Deus com seu apostolado; d) os filipenses estavam
sendo perseguidos por causa da prisão de Paulo.
Para
o salmista, a Palavra de Deus alegra o coração – Sl 19.9; ele se
alegra quando a vai à Casa do Senhor – Sl 122.1; descobriu que a
alegria vem pela manhã como expressão do cuidado divino – Sl 30.5. A
alegria é fortaleza para aqueles que crêem em Deus – Ne 8.10 e que
estão comprometidos com o Evangelho de Jesus Cristo – Mt 5.12.
A espiritualidade começa com a alegria pela nova vida, pelo perdão dos pecados e pelo testemunho do Espírito Santo de que o cristão é filho de Deus b)
“Orai
sem cessar”
(5.17) – que deve ser feita de maneira ininterrupta pelo cristão,
pois a oração faz parte da armadura cristã (Ef 6.18). Definindo o que
é um metodista, João Wesley disse: “Não que ele esteja sempre na
casa de oração – embora não negligencie a oportunidade de lá
estar. Nem que ele esteja sempre em seus joelhos – embora freqüentemente
esteja – ou em seu rosto, diante do Senhor seu Deus. Ele não sempre
orando clamando a Deus em alta voz ou invocando-o audivelmente, pois
muitas vezes é o Espírito que está intercedendo por ele com
‘gemidos inexprimíveis”.[iii] c)
“Em tudo dai graças” (5.18) – sem interrupção. As
situações de hostilidade, conflitos e perseguições não são
impedimentos para o culto, para a oração e a ação de graças. Pelo
contrário, estas estimulam o cristão a enfrentar suas lutas e
dificuldades, na certeza de que Deus está presente. Para João Wesley
é o fruto da alegria e da oração sem cessar.[iv]
“Na medida em que verdadeiramente gozamos da presença de Deus, assim
também, sem cessar, oramos e damos graças; de outro modo nosso gozo não
seria mais que uma ficção. A ação de graças é inseparável da oração;
ambas estão intimamente relacionadas. O cristão que ora
permanentemente, sempre louva a Deus, em tempo de dor ou de alívio, de
prosperidade ou de grande adversidade. O crente agradece a Deus por tudo
pois considera que tudo vem dEle e por amor a Ele o aceita”.[v] d)
“Por que esta é a vontade de Deus” (5.18) – a
vontade de Deus é sempre para o nosso bem. Espiritualidade
wesleyana João
Wesley desenvolveu e ensinou a espiritualidade como o resultado de uma
prática ou exercício. Recomendava a leitura diária da Bíblia,
estudos e orações, bem como a leitura das Notas Explicativas
para o Antigo e Novo Testamento que fizera para ajudar na compreensão
dos textos sagrados. Isto deveria ser feito através da leitura, da
meditação e do estudo:[vi] q
Ler a Bíblia sem pressa e reverentemente; q
Ler a Bíblia Sistematicamente: de manhã e à noite; um
capítulo do Antigo e um do Novo Testamento; com o propósito de
conhecer a vontade de Deus e a intenção de vivê-la; q
Ler a Bíblia Compreensivamente - ir além da leitura
superficial, com aprofundamento, estudando os textos bíblicos com
regularidade, devoção e resolução; q
Ler a Bíblia Coletivamente - A leitura e o estudo eram
proveitosos para todos os membros da Igreja, portanto deveria ser
realizada em grupo. Os
momentos devocionais dos irmãos Wesley, além da leitura, meditação e
estudo da Bíblia, tinham as seguintes marcas: [vii]
REALISTA - Ele descobriu o valor da Graça de Deus para a sua vida. Sua
vida devocional era positiva, constituindo-se na aplicação desta Graça
de Deus e não na ampliação de problemas. Ele não esquematizou um método
que durou por toda a vida, mas ao longo dos dias o ajustou conforme suas
experiências com Deus; DISCIPLINADA - João Wesley cometeu alguns
erros, mas isto não o desmotivou na busca intensa por uma vida
devocional que o alimentasse e o preparasse para os desafios que Deus
fazia-lhe. Aprendeu que nos momentos áridos é que se deve ser
perseverante e fiel. “A oração nasce a partir de um sentido de ausência
de Deus e da nossa necessidade d’Ele”;[viii]
AMPLA - Baseou sua vida devocional em toda a Bíblia. Considerava-se um homo
unis libri - Homem de um livro só: a Bíblia.
Não se contentava com alguns capítulos ou livros. Lia-a toda,
muitos comentários e assuntos diversos; e COMUNITÁRIA - A sua experiência
de vida devocional com Deus não era privada ou interna. Ele buscava na
devoção força e inspiração para servir a Deus e ajudar as pessoas
da igreja a viverem melhor. Não buscava mostrar-se mais santo que os
outros, mas procurava canalizar para o serviço suas experiências com
Deus. A
vida devocional de Wesley não era dissociada da realidade, não era
intimista ou escapista. Era desafiadora e comprometedora. Através dela
Wesley e os primeiros metodistas nutriam a fé, aqueciam o amor e
fortaleciam a esperança para cumprir a missão da igreja. Os metodistas
tinham ações que alcançavam o povo simples, sofredor e empobrecido da
época e sua leitura bíblica levava em conta o contexto vivido pelos
novos convertidos, participantes dos cultos ao ar livre e reuniões nos
diversos grupos wesleyanos. A
espiritualidade desenvolvida por Wesley possuía uma dimensão social e
seguia três princípios básicos:[ix]
Evitar o mal; fazer o bem e atender a todas as ordenanças de Deus. Para
ele era inconcebível que a vida devocional permanecesse privada e
interna, pois a dimensão social deveria estar presente.[x] Espiritualidade
hoje A oração deve
ser uma prática comum entre os metodistas, indispensável
para o testemunho missionário. “A oração alimenta nossa comunhão
com Deus, sustenta nossa experiência com a Graça, com o amor, com a
confissão, com a celebração da vida que é dom de Deus, nos leva a
aceitar nossa vocação para ser sal da terra e luz do mundo e
reconhecer nossos dons e ministérios”.[xi] Que
a Igreja busque nos cultos e nas reuniões de oração a presença do
Espírito Santo, para que o ardor missionário não se extinga, mas seja
sempre revigorado pela presença plena de Deus na vida de cada membro.
“Através da ação do Espírito Santo de Deus em nós, somos
capacitados a dar um testemunho corajoso e destemido do poder
transformador de Jesus Cristo, enfrentando, sem vacilar, as forças
demoníacas deste presente século, que arrastam para a morte, tanto as
pessoas como as estruturas sócias-políticas e econômicas. Na
autoridade do Espírito Santo, somos chamados a viver a verdade de que só
Jesus Cristo é o Senhor”.[xii] Para
o pleno cumprimento da missão, a Igreja deve desenvolver uma
espiritualidade integral: que expresse a dimensão vertical – através
da leitura e estudo devocional da bíblia, participação na Ceia do
Senhor, prática da oração e do jejum, participação nos cultos, e a
dimensão horizontal – através da solidariedade junto aos pobres,
necessitados e marginalizados. Uma espiritualidade que seja fé em ação.
“Aqueles que dizem ‘andar no espírito’ devem mostrar, na prática,
os frutos do Espírito Santo e os que professam um evangelho libertador
devem viver, pessoal e comunitariamente, a mística da experiência do
Espírito... A vida de oração, meditação da Palavra, jejum com a unção
do Espírito, são condições fundamentais para a vivência da piedade,
santificação, comunhão e unidade e da prática da misericórdia e da
solidariedade”.[xiii] Conclusão Que
neste tempo de avaliação, planejamento e preparação para o final de
ano e início de mais um período de trabalho e missão, nossa
espiritualidade esteja fortalecida e seja vibrante, capaz de nos levar a
testemunhar com convicção e fé a vitalidade do Evangelho e o ardor da
missão. Testemunhar o ardor da missão é o tema para o próximo biênio. Nos preparemos para vivenciá-lo, assim como temos experimentado a vitalidade (poder) do Evangelho em nossas vidas. [i]
Peterson, H. Eugene, À Sombra da Planta Imprevisível
– Uma Investigação da Santidade Vocacional, United Press,
Campinas, 2001, pg. 11. [ii]
Peterson, H. Eugene, À Sombra da Planta Imprevisível – Uma
Investigação da Santidade Vocacional, United Press, Campinas,
2001, pg. 79. [iii]
Wesley, John, As Marcas de um Metodista, Imprensa Metodista, São
Paulo, pg. 4. [iv]
Wesley, John, Obras de Wesley, Tomo X – Notas Al Nuevo Testamento,
Providence House Publishers, 1998, pg. 289. [v]
Wesley, John, Obras de Wesley, Tomo X – Notas Al Nuevo Testamento,
Providence House Publishers, 1998, pg. 289-290. [vi]
HARPER, Steve. A vida devocional na tradição wesleyana. São
Bernardo do Campo, Imprensa Metodista, 1992, pp. 33-40. [vii]
Idem, pp. 15-21. [viii]
Idem p. 18. [ix]
Idem, 75-80. [x]
Idem, p. 20. [xi]
IGREJA METODISTA, Plano Nacional – Objetivos e Metas, 2002, p. 29. [xii]
Colégio Episcopal, Servos, Sábios, Santos e Solidários, 1989,
pg.31. [xiii] Colégio Episcopal, Servos, Sábios, Santos e Solidários, 1989, pg.30.
Bispo
Josué Adam Lazier
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