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A FAMÍLIA NA PERSPECTIVA METODISTA |
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Em
17 de junho celebrou-se o nascimento de João Wesley. Tendo recebido
forte influência familiar, sobretudo da sua mãe, Suzanna, Wesley foi
criado em um lar que professava a fé em Cristo Jesus. Esta influência
ficou tão evidente na vida de Wesley que todos os seus biógrafos
destacam a formação que recebeu quando criança.[i]
Ao comemorarmos os 300 anos de nascimento do fundador do metodismo é
oportuno abordar o tema da família na perspectiva dos metodistas. A
FAMÍLIA NO PLANO DE DEUS
Os
metodistas consideram a família como parte do plano de Deus para o
homem e a mulher. Alguns fundamentos bíblicos e teológicos são
destacados na teologia metodista: 1.
O Antigo Testamento se inicia quando a primeira família é criada por
Deus (Gn 2.26-27) e quando Deus dialoga com o primeiro casal (Gn 3.9-10)
e termina chamando as famílias para uma reconciliação (Ml 4.6): “E
ele converterá o coração dos pais aos filhos, e o coração dos
filhos a seus pais...”.[ii] 2.
O Novo Testamento se inicia com a história de uma família que aguarda
um filho que, pelas indicações dos acontecimentos, seria muito
importante (Mt 1.18-25). O filho nasce quando a família está em viagem
e o único lugar que encontram para acolher a criança é uma
manjedoura. O Novo Testamento termina com a figura da esposa e do esposo
que se comunicam com a palavra de convite “Vem”
(Ap 22.17).[iii] 3.
A família faz parte do plano divino da criação. Deus tem um projeto
para a vida da família. “Ao lermos o texto bíblico, verificamos que
o casamento não é algo acidental na criação, mas sim essencial”.[iv]
Ao criar a família, Deus providenciou as condições para que o homem e
a mulher não estivessem sozinhos. Ao vínculo entre o homem e a mulher
Deus estabeleceu a comunhão. A garantia de felicidade no lar está em o
casal “buscar constantemente sintonia entre seu projeto fundamental de
vida e o projeto de Deus”.[v]
4.
O termo grego oikos ocorre
cerca de 110 vezes no Novo Testamento e significa “casa”, “família”,
“pertences”, “bens”, etc. Lendo e analisando alguns textos dos
Evangelhos, pode-se perceber que Jesus, de uma maneira ou outra,
resgatou o sentido de família. Jesus não falou de uma maneira clara e
direta sobre ela, mas fica claro que a família teve um papel importante
na sua formação e para o seu ministério. Jesus viveu cerca de 30 anos
junto com sua família, enfrentando diversos tipos de situações e
experimentando o cotidiano da vida e das relações judaicas.[vi]
5.
Nas cartas de Paulo há alusão às relações familiares. Ele destaca a
família como modelo de comportamento ideal para toda a igreja e exorta
as comunidades cristãs como uma família (Rm. 12 e 14; I Co. 12; Ef.
5.21-26; Cl.3.18-21). 6.
Assim, tanto o Antigo e o Novo Testamento testificam “a respeito da
importância da família na vida das pessoas e da sociedade. Seu papel
vai além da função meramente procriadora, sendo uma comunidade de
apoio mútuo, amor, comunhão, formação e serviço, atingindo assim
funções educadoras, socializadoras e integradoras das pessoas na
sociedade”.[vii] O
QUE PENSAM OS METODISTAS 1.
João Wesley incluiu nos seus ensinamentos o tema da família.
Destacamos as seguintes frases: “A
pessoa que exige as suas primeiras atenções na sua casa é, sem dúvida,
a sua esposa, visto que o sr. tem de amá-la como Cristo amou a sua
Igreja, quando deu a sua vida para pudesse ‘purificá-la para si
mesmo, para que ela não tivesse mancha nem ruga ou qualquer outra coisa
semelhante’. Todos os maridos devem ter o mesmo objetivo em todas as
suas relações com as suas esposas...”.[viii] “Em
segundo vem os filhos – espíritos imortais que Deus confiou ao seu
cuidado, por algum tempo, para que possa treiná-los em toda santidade e
prepará-los para a alegria de Deus na eternidade. Esta confiança é
importante e gloriosa, visto que uma alma é mais valiosa do que todo o
resto do mundo. O sr., portanto, tem de ter todo o cuidado com as crianças
para que quando for chamado a dar contas ao Pai dos espíritos a
respeito delas, possa fazê-lo com alegria e não com tristeza...”.[ix] “...
o sr. terá necessidade de usar toda graça, toda coragem, toda
sabedoria que Deus lhe concedeu, pois, o sr. encontrará no caminho obstáculos
que somente o poder de Deus poderá capacitá-lo a vencer”.[x] 2.
O Credo Social da Igreja Metodista, documento que aborda a doutrina
social da Igreja e a responsabilidade que a Igreja tem na sua ação na
sociedade, afirma o seguinte: “a comunidade familiar, resultante da
natureza humana, expressa exigência da própria ordem da criação
divina” (Cap. III, item 2). O Credo Social orienta os metodistas
acerca do planejamento familiar e da paternidade e maternidade responsáveis.
Para este planejamento familiar, o Credo Social orienta que os recursos
da medicina sejam usados, quando não contrariarem a ética cristã
(Cap.V, item 6). 3.
Na Carta Pastoral do Colégio Episcopal sobre a Família, está presente
a preocupação da Igreja com o mundo moderno e a complexidade social
presente que atinge as famílias, gerando desunião, desintegração,
separação e impactos na vida de muitos cidadãos e cidadãs. A Igreja
Metodista não ignora esta realidade e chama as famílias para a
preservação da dignidade da família. Em março de 2001, os bispos
metodistas se pronunciaram sobre novelas e comerciais, com repercussão
em diversos jornais, rádios e TV, no qual foram defendidos os valores
cristãos. Diz o texto: “Na
maioria das vezes, há uma ênfase demasiada no sexo barato, na
desvalorização do ser humano como criatura de Deus, no incentivo à
violência, na quebra dos valores familiares, na desvalorização da
mulher como pessoa, na ridicularização do casamento e, entre outras
coisas, na tentativa de substituir os valores cristãos nos quais nossa
pátria foi firmada, para substituí-los por uma propaganda perniciosa
de formas de religiosidade que ferem a consciência cristã da nossa
comunidade evangélica e da própria população brasileira, cuja grande
maioria se diz cristã”. A
AÇÃO PASTORAL DA IGREJA 1.
A Igreja Metodista tem procurado agir de maneira pastoral – ao orientar
sua membresia, e de forma profética – denunciar os abusos e defender a
família como instituição sagrada. As ações da Igreja podem ser assim
descritas:[xi] ·
Desenvolvimento
de um ministério que proporcione educação, apoio e ajuda à família. ·
Formação
de um ministério pastoral que esteja apto a acompanhar a família na sua
realidade e em seus dramas. ·
Publicação
de materiais, apostilas, livros, materiais visuais, pastorais e tudo o
mais que possibilite meios à família para o cumprimento de sua vocação
cristã. ·
Organização
de encontros, palestras e conferências. ·
Desenvolvimento
de um programa de preparação dos noivos para o casamento. ·
Acompanhamento
familiar e desenvolvimento de núcleos de apoio familiar. ·
Apoio
ao pastor/a e sua família. ·
Serviço
de atendimento interpessoal. 2.
O apoio espiritual à família objetiva a criação de uma Pastoral
Familiar, na qual a família será priorizada nos projetos e programas da
Igreja. Isto significa que a Pastoral da Família deve ser[xii]: ·
Prioridade
no trabalho da Igreja - planejamento, recursos, programas e cursos devem
priorizar a família. É importante que a “família nuclear”
transforme-se na “família de fé” e a unidade social mais importante
nos dias de hoje. ·
Base,
fundamento, suporte e apoio. A família deve ser a base para os outros
ministérios e atividades desenvolvidas pelos membros da Igreja. ·
Assumida
por todos os segmentos da Igreja. ·
Parte
do Plano de Ação das igrejas locais, dos distritos e Região para que não
seja prática isolada de grupos ou pessoas e em determinadas ocasiões. 3.
Esperamos e desejamos que o trabalho com as famílias traga os frutos do
amor, do carinho, da vivência familiar equilibrada, do fortalecimento dos
laços familiares, do compromisso com os mais altos valores da família,
da educação cristã dos filhos e filhas e da benção às “famílias
da terra”.
[i]
WAKEFIELD, Gordon. John Wesley. Foundery Press, 1990, p 6. [ii]
LAZIER, Josué Adam. Família – Relacionamento Fundamental.
Revista Kairós nº 1, Igreja Metodista – Quarta Região Eclesiástica,
1999, p 25. [iii]
LAZIER, idem. [iv]
Colégio Episcopal da Igreja Metodista. Pastoral da Família.
1979, p. 10. [v]
FEHR, Maria Aparecida Noronha. Falando de Espiritualidade.
Editora Vozes, 1993, p. 7. [vi]
LAZIER, p. 7. [vii]
Colégio Episcopal da Igreja Metodista, p. 11. [viii]
BURTNER, W. & CHILES, R.E. Coletânea da Teologia de João
Wesley. 1995,
p. 228. [ix]
BURTNER, & CHILES, p. 228. [x]
BURTNER, & CHILES, idem. [xi]
Colégio Episcopal da Igreja Metodista, p. 11. [xii] LAZIER, p. 40. Bispo
Josué Adam Lazier
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