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CREDO SOCIAL |
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A Doutrina social da Igreja Metodista se
expressa no Credo Social, objeto de decisão do X Concílio Geral, conforme
segue: I
- NOSSA HERANÇA 1-
A
Igreja Metodista afirma sua responsabilidade cristã pelo bem-estar
integral do homem como decorrente de sua fidelidade à Palavra de Deus expressa
nas Escrituras do Antigo e Novo Testamentos. 2-
Essa
consciência de responsabilidade social constitui parte da preciosa herança
confiada aos metodistas pelo testemunho histórico de João Wesley. 3-
O
exercício dessa missão é inseparável do Metodismo Universal ao qual está
vinculada a Igreja Metodista por
unidade de fé e relações de ordem estrutural estabelecidas nos Cânones. 4-
A
Igreja Metodista participa dos propósitos de unidade cristã e
serviço mundial, do Conselho Mundial de Igrejas. 5-
No
presente século de gigantesco progresso científico e tecnológico, a Igreja Metodista reafirma a verdade proclamada por João Wesley no século
XVIII na Inglaterra: “Vamos unir ciência e piedade vital há tanto tempo
separadas”. II
- BASES BÍBLICAS 1-
Cremos em Deus,
Criador de todas as coisas e Pai de toda a família humana, fonte de todo o
Amor, Justiça e Paz, autoridade soberana sempre presente. 2-
Cremos em Jesus
Cristo, Deus
Filho que se fez homem como cada um de nós, amigo e redentor dos pecadores,
Senhor e Servo de todos os homens, em quem todas as coisas foram criadas. 3-
Cremos no Espírito
Santo, Deus
defensor, que conduz os homens livremente à Verdade, convencendo o mundo do
pecado, da justiça e do juízo. 4-
Cremos que o
Deus único estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, criando uma nova ordem de relações na
História, perdoando os pecados dos homens e encarregando-nos do ministério da
reconciliação. 5-
Cremos no Reino
de Deus e sua Justiça que envolve toda a criação, chamando todos os homens a se receberem
como irmãos participando em Cristo da nova vida de plenitude. 6-
Cremos que o
Evangelho,
tomando a forma humana em Jesus de Nazaré, filho de Maria e de José, o
carpinteiro, é o poder de Deus que liberta completamente o homem, proclamando
que não existe nenhum valor acima da pessoa humana, criada à imagem e semelhança
com Deus. 7-
Cremos que a
comunidade cristã universal é serva do Senhor; sua missão nasce sempre dentro da missão do seu
único Senhor que é Jesus Cristo. A unidade cristã é a dádiva de sacrifício
do Cordeiro de Deus; viver divididos é negar o Evangelho. 8-
Cremos que são
bem-aventurados os humildes de espírito, os que sofrem, os mansos, os que têm fome e
sede de justiçam os que praticam a misericórdia, os simples de coração, os
que trabalham pela paz, os que são perseguidos pela causa da justiça e do nome
do Senhor. 9-
Cremos
que a Lei e os Profetas se cumprem em amar a Deus com todas as forças da nossa
vida e em amar ao nosso próximo como a nós mesmos. Pois, ninguém pode amar a
Deus e menosprezar a seu irmão. 10-
Cremos
que ao Senhor pertence a terra e a sua plenitude, o mundo e todos os que nele
habitam; por isso proclamamos que o pleno desenvolvimento humano, a verdadeira
segurança e ordem sociais só se alcançam na medida em que todos os recursos técnicos
e econômicos e os valores institucionais estão a serviço da dignidade humana
na efetiva justiça social. 11-
Cremos que o culto verdadeiro que Deus aceita dos homens é aquele que inclui a
manifestação de uma vivência de amor, na prática da justiça e no caminho da
humildade junto com o Senhor. III - A ORDEM
POLÍTICO-SOCIAL E ECONÔMICA 1- A
natureza social do homem procede da ordem da criação e significa que sua plena
realização só é alcançada na vida em comunidade. 2- A
comunidade familiar, resultante da natureza humana, a ordem econômica
resultante do conjunto das atividades humanas de produção, consumo e comércio
de bens, e a ordem política expressam exigências da própria ordem da criação
divina. 3- O
Estado é exigência básica não só para a defesa da vida e liberdade da
pessoa humana, mas para a promoção do bem-comum mediante o desenvolvimento da
justiça e da paz na ordem social. 4- Em
cada época e lugar surgem problemas, crises e desafios através dos quais Deus
chama a Igreja a servir. A Igreja, guiada pelo Espírito Santo, consciente de
sua própria culpabilidade e instruída por todo conhecimento competente, busca
discernir e obedecer a vontade de Deus nessas situações específicas. 5- A
Igreja Metodista considera, na presente situação do País e do mundo, como de
particular importância para sua responsabilidade social o discernimento das
seguintes realidades: a)
Deus
criou os povos para constituírem uma família universal. Seu amor reconciliador
em Jesus Cristo vence barreiras entre irmãos e destrói toda forma de
discriminação entre os homens. A Igreja é chamada a conduzir todos a se
receberem e a se afirmarem uns aos outros como pessoas em todas as suas relações
:na família, na vizinhança, no trabalho, na educação, no lazer, na religião
e no exercício dos direitos políticos. b) A
reconciliação do mundo em Jesus Cristo é a fonte da justiça, da paz e da
liberdade entre as nações; todas as estruturas e poderes da sociedade são
chamados a participar dessa nova ordem. A Igreja é a comunidade que exemplifica
essas relações novas do perdão, da justiça, e da liberdade, recomendando-as
aos governos e nações como caminho para uma política responsável de cooperação
e paz. c)
A
reconciliação das nações se torna especialmente urgente num tempo em que países
desenvolvem armas nucleares, químicas e biológicas, desviando recursos ponderáveis
de fins construtivos e pondo em risco a humanidade. d) A
reconciliação do homem em Jesus Cristo torna claro que a pobreza escravizadora
em um mundo de abundância é uma grave violação da ordem de Deus; a
identificação de Jesus Cristo com o necessitado e com os oprimidos, a
prioridade da justiça nas Escrituras, proclamam que a causa dos pobres do mundo
é a causa dos seus discípulos. e)
A pobreza
de imenso contigente da família humana, fruto dos desequilíbrios econômicos,
de estruturas sociais injustas, da exploração dos indefesos, da carência de
conhecimentos, é uma grave negação da justiça de Deus. f)
As
excessivas disparidades culturais, sociais e econômicas negam a justiça e põem
em perigo a paz, exigindo intervenção competente com planejamento eficaz para
vencê-las. g)
É
injusto aumentar a riqueza dos ricos e poder dos fortes confirmando a miséria
dos pobres e oprimidos. Os programas para aumentar a renda nacional precisam
criar distribuição eqüitativa de recursos, combater discriminações, vencer
injustiças econômicas e libertar o homem da pobreza. h)
No
individualismo e no coletivismo, tanto quanto em programas de crescimento econômico
e progresso social, encontramos os riscos de humanismos parciais. Urge que se
promova o humanismo pleno. A plena dimensão humana só se encontra nas novas
relações criadas por Deus em Jesus
Cristo. 6- A
Igreja Metodista reconhece os relevantes serviços da Organização das Nações
Unidas no aprimoramento e defesa dos Direitos do Homem, assim como seus esforços
em favor da justiça e da paz entre as nações. Recomenda como extremamente
oportunos a Declaração Universal dos
Direitos Humanos e documento sobre Desenvolvimento
e Progresso Social , adotado pela Assembléia em dezembro de 1969. IV -
RESPONSABILIDADE CIVIL 1-
A
Igreja Metodista reconhece que é sua tarefa docente, capacitar os membros de
suas congregações para o exercício de uma cidadania plena. 2-
O
propósito primordial dessa missão é servir ao Brasil através da participação
ativa do povo metodista na formação de uma sociedade consciente de suas
responsabilidades. 3-
A
sociedade consciente de suas responsabilidades desenvolve-se em três níveis básicos: a)
De
responsabilidade da comunidade como um todo perante Deus, especialmente na criação
de condições de igual participação
de todos os seus membros; b)
De
responsabilidade do cidadão para com a justiça e a ordem pública na
comunidade; c)
De
responsabilidade dos que exercem o poder perante o poder. 4-
Nesse
propósito a Igreja adota a Declaração Universal dos Direitos Humanos e
reafirma os critérios definidos no relatório especializado do Conselho Mundial
de Igrejas em sua II Assembléia reunida em Evanston ( EUA ) em 1954, nos
seguintes termos: a)
Criação de
canais adequados de ação política a fim de que o povo tenha a liberdade de
escolher seu governo; b)
Proteção
jurídica a todos contra prisões arbitrárias e quaisquer atos que interfiram
em direitos humanos; c)
Liberdade de
expressão legítima de convicções religiosas, éticas e políticas; d)
A
família, a igreja, a universidade, associações com fundamentos próprios,
demandam proteção do Estado e não o controle estatal em sua vida interna. 5-
A
soberania de Deus revelada na encarnação de Jesus Cristo sobre todas as
autoridades e poderes da sociedade é a garantia última, reconhecida ou não,
da responsabilidade do homem para com o seu semelhante. V - PROBLEMAS
SOCIAIS Problemas
sociais são
manifestações patológicas do organismo social
como um todo; originam-se de situações estruturais da sociedade e da
mentalidade das pessoas conduzindo-as a condições de vida infra-humana e
produzindo a marginalização sócio-econômica e cultural de indivíduos e
populações. Os problemas sociais são causa e efeito da
marginalização passiva ou ativa das pessoas, e dizem respeito às carências
nos setores básicos de Alimentação, Educação, Habitação, Saúde, Cultura,
Carência de Fé Cristã, Recreação, Trabalho, Comunicação Social, Seguro
Social, e as manifestações da conduta humana que se opõem às normas
estabelecidas por determinada sociedade. Os problemas sociais são próprios de
uma determinada comunidade em determinada época e, por isso, precisam ser
analisados dentro do contexto sócio-econômico e cultural específico. A Igreja Metodista considera que: 1-
O
homem como pessoa criada à imagem e semelhança de Deus é a realidade para a
qual devem convergir todos os valores e recursos da sociedade. 2-
A
pessoa humana é membro do corpo social e dele simultaneamente agente e sujeito. 3-
A
sociedade é um todo social, sujeito permanentemente à influência de fatores
que o modificam, que o pressionam impondo mudanças profundas no comportamento
humano. 4-
Para
que uma sociedade traduza o sentido cristão de humanidade é necessário que, a
par com a mudança das estruturas sociais, se processe uma transformação da
mentalidade humana. O sentido cristão de humanidade só pode ser alcançado em
uma sociedade na qual as pessoas tenham vida comunitária, consciência de
solidariedade humana e de responsabilidade social. 5-
Individualismo
e massificação são causas graves de problemas sociais; ambos negam o
Evangelho porque despersonalizam o homem. 6-
A
comunidade familiar expressa exigências fundamentais da criação divina. A família
está sujeita a insegurança econômica e a tensões e desajustamentos que
acompanham as mudanças sócio-culturais. O
planejamento familiar é um fator essencial, dele resulta a paternidade
consciente, o ajustamento entre os cônjuges, a educação dos filhos, a
administração do lar. A
Igreja Metodista aceita e recomenda o uso dos recursos da medicina moderna para
o controle da natalidade, quando não contrariam a ética cristã. O sexo, na ética
cristã, é considerado dádiva de Deus à vida por ele mesmo criada. A orientação
sexual é uma responsabilidade da Família, da Igreja e das Instituições
Educacionais. 7-
O
desquite é solução inadequada aos casais que se separam. O Evangelho concede
à Igreja recursos de natureza ética para acolher em seu seio casais constituídos
sem amparo da legislação vigente. A Igreja reconhece a urgente necessidade de
uma legislação civil que, respeitada a ética cristã, solucione o problema
dos lares desfeitos mediante novo casamento. 8-
A
prostituição é grave alienação da pessoa humana exigindo tratamento responsável.
No tratamento da prostituição, que constitui grave problema na sociedade
brasileira, é impossível ignorar-se um complexo de fatores como fonte
causadora da mesma: limitações de ordem pessoal, estruturas defeituosas da
sociedade, carências culturais econômicas, dupla moral sexual, lenocínio,
exploração do sexo nos meios de comunicação social. 9-
No
Brasil constata-se a existência de grande contigente de crianças desatendidas
em suas necessidades básicas de alimentação, habitação, cuidados com a saúde,
amor e compreensão, educação, proteção e recreação. Essas carências da
primeira infância são, via de regra, irreversíveis. É de inadiável urgência
no Brasil a tomada de providências que visem o cumprimento dos Direitos da
Criança que foram proclamados pela Assembléia Geral das Nações Unidas em 20
de novembro de 1959. 10-
A juventude é predominante na população brasileira, representando alta
potencialidade e dinamismo no processo de desenvolvimento do País. Suas aspirações
e seus problemas apresentam exigências imperativas. O desenvolvimento sócio-cultural,
econômico e político do Brasil não pode prescindir do concurso de sua
juventude, que é decisivo. 11-
Meios de comunicação social: letra, som, imagem ( livros, rádio, filmes e
televisão) que contribuem poderosamente para a educação do povo, estão
trazendo também muita influência negativa que deforma as mentes e agride a
sociedade. 12-
Dentre os problemas que afetam a sociedade estão os chamados vícios como: o
uso indiscriminado de entorpecentes, a fabricação, comercialização e
propaganda de cigarros, bebidas alcoólicas, a exploração dos jogos de azar,
que devem ser alvo de combate tenaz já pelos efeitos danosos sobre os indivíduos
como também pelas implicações sócio-econômicas que acarretam ao País. 13-
Os presídios devem ser para reeducação e tratamento dos indivíduos e para
tal precisam estar devidamente equipados e organizados. É direito da pessoa
humana receber em qualquer lugar e circunstância o tratamento condizente com a
natureza e a dignidade humana. A
Igreja Metodista não só deplora os problemas sociais que aniquilam as
comunidades e os valores humanos, mas orienta a seus membros no tratamento dos
problemas dentro das seguintes normas e critérios: a)
Propugnar por
mudanças estruturais da sociedade que permitam a desmarginalização social dos
indivíduos, grupos e das populações; b)
Trabalhar
para obter dos que já desfrutam das oportunidades normais de participação sócio-econômica
e cultural e dos que têm a responsabilidade do poder diretivo da comunidade,
uma mentalidade de compreensão e de ação eficaz para erradicação da
marginalidade; c)
Oferecer às
pessoas vitimadas pelos problemas sociais a necessária compreensão, o apoio
econômico e o estímulo espiritual para sua libertação, a orientação
individualizada, respeitando sempre a sua autodeterminação; d)
Pautar-se
em normas técnicas atualizadas e específicas a cada situação - problema, no
tratamento das mesmas, utilizando os recursos comunitários especializados; e)
Amar
efetivamente as pessoas caminhando com elas até as últimas conseqüências
para a sua libertação dos problemas e sua autopromoção integral. |