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O
testemunho da vitalidade do Evangelho |
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Parte III
Na segunda parte deste estudo vimos que a Igreja de Tessalônica cumpria Atos 1.8 e refletimos sobre algumas orientações do apóstolo. Vamos continuar nossa reflexão sobre a igreja dos tessalonicenses, tendo como base a primeira carta de Paulo. III. EXORTAÇÕES DO APÓSTOLO – 5.11-24 Paulo termina sua carta com uma lista de recomendações. Encontramos neste texto (podemos chamá-lo de catálogo de virtudes para o desenvolvimento da Igreja), parte da estratégia de Paulo em plantar e edificar novas igrejas. O texto é dirigido a toda igreja (5.16-22), mas especificamente aos que exerciam ministérios na igreja de Tessalônica (5.14 e 15), pois tinham a responsabilidade de pastorear o rebanho na ausência do apóstolo. É um conjunto de recomendações divididas em duas estrofes: concernente à vida cristã cotidiana e concernente ao culto e oração.[i] a)
“Exortamo-vos, também, irmãos” – 5.14-15 Na
primeira parte encontramos um conjunto de orientações para quem exerce
ministérios na Igreja. São recomendações para o cuidado pastoral: “Admoestar os insubmissos” – o termo “insubmisso” é tirado do contexto militar e refere-se ao soldado indisciplinado que fica fora da fila ou do seu lugar de responsabilidade. São os membros da igreja que não estão totalmente compromissados e que não participam ativamente da vida comunitária e dos dons e ministérios.[ii] São também os indisciplinados com sua própria maneira de compreender o Evangelho e sem se submeterem a uma disciplina comunitária ou institucional.[iii] O verbo admoestar significa instruir, aconselhar, ensinar e orientar sobre a vida cristã. “Consolar
os desanimados”
– A expressão grega indica os que estão assustados diante das lutas
e das dificuldades e que ficam desencorajados a perseverarem na vida
cristã. O verbo consolar significa ficar
ao lado para encorajar, para fortalecer e dar suporte para o crescimento
na fé, no amor e na esperança. “Amparar os fracos” – A expressão “os fracos” corresponde àqueles que precisavam de acompanhamento para que continuassem crescendo na vida cristã. A orientação é para que estes não fossem desprezados pelos que exerciam ministérios na igreja. O verbo amparar significa interessar-se por, prestar atenção à, ajudar, dedicar-se a, afim de que estes cristãos sejam fortalecidos na caminhada cristã. Paulo conclui que devemos ser longânimos para com todos, pois a paciência deveria permear os relacionamentos na igreja de Tessalônica e seguir sempre o bem, pois o mal e as injustiças não deveriam ser retribuídos, a não ser com o amor. b)
“Agora, vos rogamos” – 5.16-22 Encontramos nesta segunda parte dois conjuntos de recomendações: Primeiro
conjunto: 1) “Alegrai-vos sempre” (5.16) – a alegria é um fruto do Espírito Santo (Gl 5.22); ela define o Reino de Deus (Rm 14.17), ao lado da paz e da justiça; é o resultado da presença e da ação do Espírito Santo. A vida cristã e os dons e ministérios devem ser vividos com prazer e regozijo, e não como se fossem fardos que o cristão carrega. 2) “Orai sem cessar” (5.17) – o que deve ser ininterruptamente na vida do cristão, pois a oração faz parte da armadura (Ef 6.18). 3) “Em tudo dai graças” (5.18) – ou seja, sem interrupção. As situações de hostilidade, conflitos e perseguições não são impedimentos para o culto, para a oração e a ação de graças. Pelo contrário, a oração e a ação de graças estimulam o cristão a enfrentar suas lutas e dificuldades, na certeza de que Deus está presente. Segundo
conjunto: São quatro as recomendações que encontramos nesta parte: 1) não apagueis o Espírito (5.19); 2) não desprezeis as profecias (5.20); 3) julgar todas as coisas e reter o que é bom (5.21); 4) abster-se do mal (5.22). São recomendações para que a jovem Igreja de Tessalônica tivesse o devido discernimento sobre as coisas espirituais. 1) “Não apagar o Espírito” é uma recomendação para a dependência ao Espírito Santo que age de maneira soberana convencendo do pecado, da justiça e do juízo (João 16.8), dando os frutos e a capacitação para o exercício de dons e ministérios no Corpo de Cristo. 2) “Não desprezar as profecias”. Não estamos falando de profecia como revelação do futuro, mas como proclamação de que Jesus Cristo é o Senhor e Salvador, Filho de Deus que tem o poder de transformar o indivíduo e a sociedade, perdoando seus pecados e gerando nova vida. A profecia é para edificação da Igreja (I Co 14.4), e desprezá-la é o mesmo que desprezar a Palavra de Deus. 3) “Julgar todas as coisas e reter o que é bom”. Esta recomendação orienta ao discernimento. É necessário examinar tudo aquilo que é pregado para saber se procede do Espírito Santo mesmo. Além do dom da profecia, Deus dá o dom do discernimento. A Igreja deve se manter afastada do que não é bom, “mesmo que este se manifeste na forma de fala operada pelo Espírito Santo”.[iv] Não devemos rejeitar as profecias e apagar o Espírito Santo porque alguns grupos ou pessoas usam equivocadamente as manifestações do Espírito Santo. Mas não devemos também aceitar pacificamente algumas “profecias” em nossas igrejas ou quando alguém usa a expressão “Deus me mandou dizer”. Devemos ter discernimento. c)
Oração do apóstolo – 5.23-24 Paulo ora novamente pelos tessalonicenses na esperança de que Deus é fiel, agiu e vai agir na vida dos cristãos (5.24), para que a fé, o amor e a esperança continuem a ser os sinais da sua presença. IV. A GLÓRIA DO APOSTOLO – 2.19-20 Quando o apóstolo se dirige a esta comunidade, ele declara seu carinho e respeito pela mesma. Usa expressões como alegria, esperança, coroa e glória. Alegria
- Na lista de Gálatas 5.22-23, a
alegria aparece como fruto do Espírito Santo. Ela aparece em outros
textos também. A alegria é o resultado do compromisso com o Evangelho
(Fp 1.4,18, 18; 2.2,17, 17, 18, 28,19; 3.1; 4.1,4 4,10); é um dos
sinais do Reino de Deus (Rm 14.17, 15.13). O apóstolo afirma que os
tessalonicenses eram como um fruto do Espírito Santo em sua vida.
Esperança
- Quando o apóstolo recordava os irmãos e irmãs em Tessalônica,
ficava cheio de alegria e de esperança para continuar a realização do
seu ministério e fortalecido a enfrentar as lutas do ministério.
Coroa
– Paulo tem em mente a coroa dos atletas que terminavam uma prova e
eram recompensados. A recompensa do apóstolo era a igreja de Tessalônica.
Glória
- A igreja dos tessalonicenses
mostrava o que Paulo era por dentro, ou seja, sua intimidade com Deus e
seu desejo de cumprir cabalmente o ministério que recebeu. A igreja de
Tessalônica era a glória do apóstolo.
CONCLUSÃO A Igreja de Tessalônica cumpria sua missão deixando evidente a presença das marcas que caracterizavam seu compromisso missionário. Estas marcas são necessárias ainda hoje, pois o mundo carece de ver estes sinais da maturidade cristã presentes na Igreja de Cristo. A Igreja de Tessalônica, em que pese os aspectos da maturidade cristã e o evidente testemunho que dava, apresentava limitações: apego aos aspectos culturais do mundo da época (4.3-6); necessidade de reconhecer o trabalho que os líderes realizam (5.12); a igreja deveria procurar sempre o bem dos outros e de todos os membros (5.15) e buscar o discernimento para examinar tudo e reter o que é bom (5.19-21).[v] Mesmo assim. a Igreja de Tessalônica tinha as condições necessárias para testemunhar a vitalidade do Evangelho em terras greco-romanas ao possuir a suficiência que vem de Deus. As palavras do apóstolo nos enviam em missão: “sejamos sóbrios, revestindo-nos da couraça da fé e do amor e tomando como capacete a esperança da salvação” (I Ts 5.8).
[i]
TRIMAILLE,
Michel. A primeira epístola aos tessalonicenses. São
Paulo, Edições Paulinas, 1986, p. 105. [ii]
FERREIRA, p. 102. [iii]
TRIMAILLE,
p. 105. [iv]
SCHURMANN, Heinz. A primeira epístola aos tessalonicenses.
Petrópolis, Vozes, 1969, p. 108. [v]
BORTOLINI, José. Como ler a primeira carta aos tessalonicenses.
São Paulo, Paulinas, 1991, p. 36.
_________ Fonte: Site da 4ª Região
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