O testemunho da vitalidade do Evangelho
na Igreja de Tessalônica

 

Parte II  

 

Na primeira parte deste estudo, vimos as principais marcas da presença de Deus na vida dos tessalonicenses: a fé, o amor e a esperança. Vimos também as ações pastorais dos missionários Paulo, Silas e Timóteo na implantação da igreja em Tessalônica. Nossa reflexão seguem em uma igreja que testemunha a vitalidade do Evangelho.

 

c) “Vos tornastes modelo para todos os crentes na Macedônia e na Acaia” – 1.6-10 e 2.14

A eficácia da Palavra de Deus entre os tessalonicenses é percebida quando estes se transformam de ouvintes em seguidores dos apóstolos e, sobretudo, de Cristo (1.6). Ao acolherem a Palavra de Deus com alegria (1.6), submeteram-se a muitas lutas e tribulações em conseqüência do discipulado.

Paulo também registra que os tessalonicenses eram modelo e exemplo na cidade de Tessalônica, na Macedônia. No estado vizinho de Acaia e por todos os lugares (1.8) comentava-se que os tessalonicenses abandonaram os ídolos: “vos convertestes dos ídolos a Deus, para servirdes ao Deus vivo e verdadeiro” (1.9).

 

Por causa das perseguições, a Igreja de Tessalônica é comparada à da Judéia (2.14), pois os cristãos tessalonicenses também romperam com as estruturas injustas da época.[i]

 

d) “Enviamos Timóteo para confirmar-vos e exortar-vos” - 3.1-10

 

Timóteo é enviado a pastorear a Igreja naqueles dias de lutas e perseguições (3.2) para que ninguém desfalecesse nas tribulações (3.3). As informações que Timóteo leva a Paulo são alvissareiras, pois os irmãos estavam firmes na fé, no amor e na esperança (3.6-7). Estas informações foram o consolo do apóstolo em meio a angústias e tribulações (3.7). No capítulo dois Paulo havia dito que a Igreja de Tessalônica era sua alegria, esperança, coroa e glória (2.19). É evidente o cuidado pastoral do apóstolo com sua igreja.

 

O que é cuidado pastoral? “É o processo de proteção para com o ministério de pessoas e comunidades em nome de Deus. É uma expressão do cristão para com o outro e para aquele para quem Cristo viveu e morreu”.[ii] Dentro do cuidado pastoral está o aconselhamento pastoral que tem como objetivo trabalhar com indivíduos, grupos ou famílias, questões relacionadas à emotividade, sexualidade, bem como aspectos psicológicos, espirituais, mentais, físicos e outros.

 

James Reaves Farris, professor na Faculdade de Teologia, considera que o pastorado envolve cura, apoio e guia. Cura no sentido de “ajudar as pessoas a se tornarem sadias física, mental e espiritualmente”. Apoio no sentido de “sustentar e nutrir as pessoas com amor, diariamente e na totalidade de suas vidas... apoiar, sustentar e encorajar o povo, quando ele está faminto, sedento, solitário, ferido e inseguro... alimentar, vestir e suprir outras necessidades básicas do povo necessitado”; e guia no sentido de “dar conselhos, dirigir e funcionar como uma autoridade”.[iii] São muitas as oportunidades para o pastor e a pastora exercerem a tarefa que contribuirá para a “cura, apoio e guia” das ovelhas.

 

Dentro do cuidado pastoral está implícita a valorização da Escola Dominical, em que o pastor e a pastora podem educar os seus rebanhos. Estudo bíblico na igreja e nas casas é outro meio para se desenvolver o cuidado pastoral. A visitação periódica, especialmente dos doentes, dos que necessitam de orientação pastoral e dos interessados no Evangelho é outra atividade que promove o cuidado pastoral. O pastor e a pastora oferecem, sistematicamente, a preparação dos novos membros e a orientação catequética, como forma de desenvolver o pastoreio junto ao rebanho.

 

e) Oração pelos tessalonicenses – 3.11-13

 

A primeira parte da carta termina com uma oração. Nela encontramos o pulsar do coração do pastor por suas ovelhas. Na oração o pastor se abre a Deus e suplica a bênção para as ovelhas. Para si pede a oportunidade de rever os tessalonicenses e para eles o progresso no amor e na santidade.

II. ORIENTAÇÕES PARA UMA IGREJA QUE TESTEMUNHA O EVANGELHO – 4.1-5.28

A segunda parte da Carta começa com um preâmbulo às instruções que serão apresentadas aos tessalonicenses para que vivam de maneira a agradar a Deus (4.1-2). Solicita-se aos cristãos que recordem o que aprenderam com Paulo, Silas e Timóteo:

 

a) “Pois esta é a vontade de Deus: a vossa santificação” – 4.3-8

 

Os tessalonicenses, ao se converterem, abandonaram os ídolos (1.9), mas ainda viviam sob a influência de uma sociedade licenciosa e libertina. Para que o testemunho do Evangelho continuasse a ter repercussão entre a população os aspectos morais deveriam estar acima de toda prova.

São três breves exortações:

 

1. Apartar-se da luxúria - 4.3. “Esta palavra muito genérica abrange todos os desvios sexuais: se, entre os gregos, ela designa principalmente a prostituição e o adultério, entre os judeus, conforme a tradução grega do Antigo Testamento, ela se estende a todas as formas de luxúria ou de fornicação”.[iv] Está presente a santificação do cristão, pois esta é a vontade de Deus (4.3).

2. Tratar a esposa com santidade e respeito – 4.4. A palavra grega tímios, traduzida por respeito, tem o sentido de valioso, precioso, caro (no sentido de grande valor), estimado e respeitado. “É uma atenção ao outro que leva em consideração sua condição e sua situação, e que se manifesta em gestos concretos de ajuda e de sustento. É totalmente contrário de ‘considerar o outro como um objeto”.[v]

3. Respeitar o casamento dos outros – 4.7. Faz parte da santificação cristã o respeito pelo casamento dos outros e evitar ferir ou lesar o irmão e sua família.

 

b) “No tocante ao amor fraternal” – 4.9-12

 

O amor é uma das características da Igreja de Tessalônica, mas havia ainda progressos a serem feitos (4.10). O amor fraterno será um testemunho da vitalidade do Evangelho para os de fora (4.12).

 

c) “O dia do Senhor vem como ladrão” – 4-13-5.10

 

A Parusia será marcada por lutas e perseguições. Para que a Igreja tenha resistência e vença, os sinais da maturidade cristã devem estar presentes. São a fé, o amor e a esperança (5.8) apresentados agora como armas que sustentarão os tessalonicenses para sobreviverem em uma sociedade perversa e anticristã, e testemunharem que o Evangelho é o poder de Deus para a salvação (Rm 1.16-17).

 

 

Continua na próxima edição

 


[i] FERREIRA, Joel Antônio. Primeira epístola aos tessalonicenses. São Paulo, Imprensa Metodista, Sinodal e Vozes, 1991, p. 70.

[ii] FARRIS, James Reaves. Teologia prática, cuidado e aconselhamento pastoral: um resumo da história recente e suas conseqüências atuais. in Teologia Pastoral, Estudos de Religião 12. São Paulo, UMESP, 1997, p. 19.

[iii] FARRIS, pp. 20-23.

[iv] TRIMAILLE, Michel. A Primeira Epístola aos tessalonicenses. São Paulo, Paulinas, 1986, p. 73.

[v] TRIMAILLE, p. 76.

 

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Fonte: Site da 4ª Região