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Quem tem medo de mudanças? |
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Lúcio César Menezes De um tempo para cá comecei a desconfiar que estou ficando velho! É, aquela fase que você sempre acha que só atinge os outros. Primeiro foram algumas fotos que mostraram sem disfarce as olheiras, cabelos brancos mais freqüentes e um certo saudosismo. Depois, vieram perguntas dos filhos, curiosos com expressões e exemplos que estava usando. Fui, então, conferir e, é claro, acabei me rendendo às evidências. Lembro que minhas pesquisas só eram na Barsa ou na Mirador, obras imensas e caras. Claro, eram emprestadas, pois meus pais não podiam comprá-las na época. Escrever só em caderno, pois não se falava em computador, e-mail ou coisas do gênero. Aliás, as comunicações eram por carta, com demora de entrega média de uma semana. Não usava celular, televisão só existia "aberta", não havia "self-service" e comida chinesa ou japonesa eram coisas do outro mundo. Literalmente. Nosso carro mais moderno era uma Brasília amarela (nada a ver com a dos Mamonas Assassinas), nosso som era uma vitrola em um móvel imenso de cerejeira e as músicas favoritas não vou nem falar. Toda essa introdução jurássica tem um objetivo: foi preciso aprender muita coisa nova, mudar hábitos, estudar, se atualizar para conseguir um bom emprego e ser um bom profissional. Comecei a instruir processos ou fazer petições com máquinas de escrever manuais, usando papel carbono para conseguir cópias. Quando errava uma letra, tinha que apagar com borracha em cada cópia e usar "liquid paper" no original – muito trabalho e uma apresentação final feia. Preparar uma prova para trinta alunos era outro desafio – datilografar em "stencil" e usar um mimeógrafo a álcool para reproduzir. Mas e daí? Que vantagem listar um monte de atividades arqueológicas? É que andei esbarrando em algumas resistências a mudança. Gente que luta, briga até onde pode para aceitar uma novidade – um novo procedimento, um novo "software", uma nova forma de agir. Onde trabalho conheço um colega que se recusa usar um microcomputador. Escreve "na munheca" seus pareceres. Mas o mundo não está mais na época dos pareceres escritos à mão e alguém é escalado para digitar os textos. Re-trabalho. Perda de tempo. Atraso nos prazos. É verdade que ele já poderia ter se aposentado há uns dez anos, mas não o faz para não ter que mudar de rotina! Claro que mudar por mudar não é inteligente. Mas as famosas frases do tipo "não se mexe em time que está ganhando" têm que ser avaliadas com mais seriedade. É verdade que as petições saiam datilografadas, mas não há dúvida de que a evolução dos programas de editoração de texto estão muito à frente da forma anterior. Os sistema funcionava, mas hoje funciona de forma muito melhor. Portanto, cuidado com as resistências à mudança. Como se diz por aí, quem não gosta de mudar é velho! Mas velho na mentalidade, pois grande parte dos que hoje estão na terceira idade com saúde conseguiram romper os paradigmas, o conservadorismo, mudando para melhor. O ser velho aqui é sinônimo de inflexibilidade, dureza, rigidez, incapacidade de adaptar-se. Quase significa dizer: morte. Não mudar é igual a não aprender. A sabedoria reside em ter curiosidade para descobrir novas formas de agir, novos meios de resolver problemas. Antes eram cartas, hoje usa-se e-mail. Antes eram telefonemas longos, hoje ICQ e outros. Fotos exigiam filmes, hoje são digitais. A tecnologia progride e quem não está aberto a mudanças fica deslocado, atrasado. Conviver com pessoas que não aceitam que o mundo muda de forma diária é um desafio para qualquer instituição. Se você é "tão velho quanto eu" se identificará com vários dos exemplos. Talvez seja ainda mais antigo, tudo bem. O que importa é chamar a atenção para a atitude correta na vida – disposição para aprender. Se não, você poderá experimentar a triste constatação de que os jovens estão lhe atropelando, tomando seu lugar, deixando-lhe sem espaço. De nada adiantará reclamar da vida, dizer que não reconhecem seu passado brilhante, que está sendo injustiçado. Eles não têm culpa se você está parado no tempo, imóvel, travado. Eles vivem a vida como ela é – rápida, dinâmica, competitiva. Leia mais, atualize-se, faça cursos, aprenda uma língua estrangeira, seja mais curioso e aprenda novas forma de usar um micro, acesse a internet, pesquise, brinque, divirta-se. E na hora que alguém chegar e lhe avisar que sua mesa terá que mudar de posição não fique apavorado – novos horizontes podem estar sendo abertos diante dos seus olhos. Basta ser ousado o suficiente para mudar.
Fonte site Revendo
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