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por
Lúcio César Menezes
Ensinar
filhos é um desafio em duas frentes: diário e de longo prazo. Exige
respostas imediatas e não pode prescindir de um bom planejamento que
leve em consideração alvos de médio e longo prazos.
É
preciso encontrar soluções para situações inesperadas sem perder a
consistência. Saber para onde se está caminhando, o que se deseja
alcançar, que tipo de caráter os filhos cultivarão quando adultos.
Ensinar,
entre várias acepções, significa: dar ensino a, adestrar, treinar.
Dar a conhecer, indicar.
Sugere
um processo que se inicia com o nascimento e perdura ao longo de toda a
vida. Um processo que vai sendo avaliado, testado, atualizado e
corrigido diante de novas circunstâncias, de novos desafios.
É
semelhante ao aprendizado de qualquer esporte. O começo é sem coordenação
motora, mais erros que acertos, vontade de desistir, cansaço,
incentivos e críticas, muitas correções, muitos elogios, persistência
e paciência. Após algum tempo os resultados aparecem – já há boa
coordenação, as correções diminuem, há mais alegria que cobranças,
os elogios superam as críticas. Como em tudo na vida, sempre haverá
outras coisas a aprender.
Treinar
os filhos para a vida é mais interessante e desafiador que treiná-los
para qualquer esporte. Um bom treinamento produzirá um cidadão
consciente, honesto, de caráter, capaz de fazer diferença na
sociedade.
Como
ensinar é algo importante, deixar para decidir na hora da crise o que
fazer para educar não me parece uma boa idéia. O acaso não produzirá
um treinamento consistente.
Ensinar
envolve algumas decisões importantes para os pais. Significa assumir
algumas premissas:
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É
preciso ter metas – aonde se pretende chegar? O que você espera
de seu filhos nas situações importantes? Honestidade? Coragem?
Levar vantagem em tudo? Ser confiável ou "ter jogo de
cintura"? Luta até o fim ou desiste na primeira resistência?
Os fins justificam os meios? Muitas oportunidades acontecerão para
o treinamento: ele chega em casa com brinquedo que não é dele;
passa em uma prova colando; quebra algo em casa e esconde, foge. A
forma que os pais reagirem influenciará no caráter da criança.
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É
preciso saber que é um processo – ensinar não é algo estático,
inflexível. É um processo em constante mutação. Há falhas a
serem corrigidas, há avanços e retrocessos, erros e acertos. Se um
caminho não está funcionando é necessário testar outros.
Adapta-se a cada criança, ao seu jeito e temperamento. Mas deve ser
um processo pensado, articulado, capaz de orientar ações
consistentes, que permita aos filhos perceberem que há um norte e
que não depende apenas do humor dos pais.
Olho
para os lados e não vejo pais que desejem ver seus filhos despreparados
para a vida. Ao contrário, há sempre um desejo ardente de vê-los
progredir, vencer, conquistar espaços, serem motivos de orgulho e
satisfação.
No
entanto, é possível perceber que nem todos estão conscientes da
necessidade de ter um projeto bem elaborado de treinamento. Estão
envolvidos por tantas exigências da vida que abrem mão de incutir nos
filhos os conceitos corretos.
O
espaço deixado pelos pais é logo ocupado pela TV, filmes ou novelas,
amigos da escola e a cultura pós-moderna do relativismo.
Os
filhos vão assumindo posturas que deixam os pais perplexos, atônitos,
não poucas vezes envergonhados. Já adolescentes, não estão mais tão
acessíveis ao ensino que passou da hora. Não há mais treinamento –
há muita discussão, cobrança, intransigência, falta diálogo e não
há mais como indicar o caminho ante a incapacidade de pais e filhos se
comunicarem.
Educar
envolve muitas atitudes importantes. Para treinar bem um filho é
fundamental:
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Coerência
– seja o sim, sim e o não, não. Quanto mais coerentes forem os
pais mais obedientes serão os filhos. Eles não ficam em dúvida
quando há uma ordem, um direcionamento. Sentem que os pais sabem o
que estão fazendo, ainda que não gostem. Um filho chega para o pai
e pede para ir para a chuva. O pai diz logo que não e pronto. O
filho fica insistindo, pedindo, pedindo, pedindo. O pai faz de conta
que não está ouvindo, mas, por fim perde a paciência e diz: tá
bom, pode ir, mas só um pouquinho! Pronto, oportunidade de
treinamento perdida. Ou pior, a criança está sendo treinada para não
obedecer, percebe que insistindo, chorando consegue tudo.
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Esperança
– treinar pressupõe a esperança de obter bons resultados.
Qualquer que seja a situação da família, a esperança é uma
companhia das mais interessantes. As correções necessárias, o
cansaço que advém da disciplina serão recompensados. É promessa
bíblica. Ensina, treina a criança e ela seguirá o bom caminho. Não
desista de ensinar os conceitos corretos, pois há esperança no
futuro.
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Perseverança
– só vai para a frente quem não desiste. Ensinar exige
perseverança. É luta constante, diária, por toda a vida. Quem
larga mão no meio do caminho não chega a lugar nenhum. Vencem os
que perseveram, os que vão até o fim. Pense no prazer de ter
filhos equilibrados, conscientes, de bom caráter. Vale qualquer
esforço.
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Paciência
– os conceitos bons não são aprendidos facilmente. As porcarias
sim. Portanto, prepare-se para ter paciência nas idas e vindas,
erros e acertos. Siga em frente, pois você sabe aonde quer chegar
(ou não????)!
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Cobrança
por resultados junto com muitos elogios – uma regra de ouro no
ensino é conhecida como a regra do sanduíche – uma crítica deve
estar sempre envolvida por pelo menos dois elogios. Outra dica é
lembrar que para cada crítica você deve ser capaz de fazer três
ou mais elogios. Pais que só sabem corrigir, ver erros, criticar,
reclamar, se aborrecer, exigir (ufa!), não são bons treinadores.
Os filhos fazem dezenas de coisas boas por dia. Por quê só lembrar
dos erros? Treinar significar elogiar o que está certo, incentivar,
estimular e, quando necessário, fazer os ajustes necessários. Se
você só corrige não há filho que não desanime.
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Os
resultados devem aparecer – é importante avaliar os resultados
para ver onde o processo de treinamento precisa ser revisto. Se não
há resultados desejados algo está errado no ensino. O progresso
deve acontecer. Um treinamento eficiente conduzirá a filhos
obedientes, que não envergonham os pais, que respeitam as pessoas e
as propriedades, que se comportam bem. Não quer dizer que nunca
errarão, mas que já têm um caminho traçado.
A
missão dos pais é imensa. Preparar os filhos para serem homens e
mulheres de bem não é tarefa fácil. É um privilégio dado por Deus
poder contribuir tão decisivamente na formação do caráter de outras
pessoas.
Permitir
que as crianças desenvolvam a rebeldia, o desrespeito por regras e
pessoas, o desrespeito pelos valores cristão de integridade,
honestidade e humildade é uma ofensa direta aos preceitos bíblicos. É
semear no campo do inimigo.
Uma
opção que não deve existir para famílias cristãs de verdade, nem
que seja de forma inconsciente.
Fonte site Revendo |